Pelo poder dos Conselhos de Trabalhadores

Conselho para a continuação das ocupações (Paris, 22 de maio de 1968)


Trad. para o espanhol de Juan Fonseca publicada em DEBATE LIBERTARIO 2 -- Serie Acción directa -- Campo Abierto Ediciones Primera edición: mayo 1977. Traduzida para o português pelos editores desta página *.



Em dez dias, não somente centenas de fábricas foram ocupadas pelos trabalhadores e uma greve geral selvagem interrompeu quase totalmente a atividades do país, mas também diversos edifícios pertencentes ao Estado foram ocupados por comitês de ação que se apropriaram da gestão. Em presença dessa situação, que em nenhum caso pode permanecer, posto que está na alternativa de extender-se ou desaparecer (regressão ou negociação massacradora), se varrem todas as velhas idéias, se confirmam todas as hipóteses radicais sobre a volta do movimento revolucionário proletário. O fato de que todo o movimente ter sido desencadeado, há cinco meses, por meia dúzia de revolucionários do grupo «Enragés» revela melhor que tudo como as condições objetivas já existiam. A partir de então, o exemplo francês ressoou além das fronteiras e fez ressurgir o internacionalismo, indissociável das revoluções de nosso século. Hoje, a luta fundamental se trava entre, por um lado, a massa dos trabalhadores -- que não tem diretamente a palavra -- e, por outro, as burocracias políticas e sindicais de esquerda que controla -- ainda que só seja a partir de 14% dos sindicatos da população ativa -- as portas das fábricas e o direito de negociar em nome dos ocupantes. Essas burocracias não são organizações operárias tornadas menos e traidoras, mas um mecanismo de integração na sociedade capitalista. Na crise atual, constituem a principal proteção do capitalismo vacilante.

O gaulismo pode tratar, fundamentalmente com o P.C.-C.G.T. (mesmo indiretamente) sobre a desmobilização dos trabalhadores, para a troca de vantagens econômicas: se reprimirão então as correntes radicais. O poder pode passar«à esquerda», que fará a mesma política, não obstante a partir de uma posição mais vantajosa, também se pode intentar a repressão pela força.

Em fim, os trabalhadores podem levar o gato à água, falando por si mesmos e tomando consciência das reivindicações que está no nível do radicalismo das formas de luta que já puseram em prática. Tal processo conduzirá à formação de Conselhos de trabalhadores que decidem democraticamente na base, se federem por meio de delegados revogáveis em qualquer momento e se convertam no único poder deliberante e executivo de todo os país.

Em que medida a prolongação da situação atual contêm esta perspectiva? Talvez em alguns dias, a obrigação de voltar a por em marcha alguns setores da economia sob o controle dos trabalhadores pode estabelecer as bases deste novo poder que tende a transbordar os sindicatos e partidos existentes. Será preciso por em marcha os trens e as gráficas pela necessidade da luta dos trabalhadores. Será preciso talvez que a moeda seja substituída por bonus que comprometam o surgimento de novas autoridades. Em tal processo prático pode surgir a consciência de classe que se apodera da história e que realiza pela ação dos trabalhadores a dominação de todos os aspectos de sua própria vida.

Conselho para a continuação das ocupações, 22 de maio de 1968



* Extraído da Biblioteca Virtual Revolucionária em

http://www.oocities.org/autonomiabvr/princpl.html


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